04 janeiro 2017

“Sempre há um canto de sereia que te seduz para o naufrágio.”

A Menina Submersa: Memórias é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do “real” sobre o “verdadeiro” e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma “obra-prima do terror” da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico.



O mundo a qual somos jogados é o mundo de Imp (India Morgahn Phelps), uma menina que perdeu a mãe muito jovem, da mesma forma que a mãe dela perdeu a mãe, e assim sucessivamente. A doença que assola a família de Imp é hereditária: esquizofrenia. Dessa forma somos jogados dentro da cabeça de uma pessoa esquizofrênica.


Com o desenrolar da trama, nós percebemos o quanto é confuso estar dentro da cabeça de Imp, e de como é não ser compreendida, porque você passar a ser a personagem principal. Então você sente as agonias, as tristezas, os desesperos, as confusões, o amor e até mesmo a saudade que ela sente da namorada (sim! É uma narrativa lésbica, tanto que uma das referências quando fui buscar a sinopse do livro foi o filme “Azul é a Cor Mais Quente”, além de fazer referência à música da banda Radiohead “There There”). E de certo modo você também consegue entender a insegurança de Abalyn (namorada de Imp) em relação à companheira que sofre com a doença.


No livro nós temos muitos momentos de confusão, em que você não sabe se o que é relatado é real ou não, a autora consegue nos confundir a ponto de termos que ler o próximo capítulo para saber o desenrolar de toda a história. E ainda sim, há um mistério, porque Imp terá que descobrir o que foi verdade e o que não foi em uma tentativa de conseguir colocar a cabeça em ordem.


A respeito da diagramação do livro devo dizer que a Darkside Books não decepciona. O livro é lindo e maravilhoso, temos figuras por todas as páginas de insetos em geral. O livro é em capa dura com a lateral das folhas em rosa, e ele por dentro é todo rosa, capaz de deixar os leitores admirados com a capa e toda a composição de imagem do livro.


Eu, simplesmente amei o livro. Não só por conta da imagem, mas por conta da história em si, que foi muito bem elaborada e contada. O mesmo deve ser lido com calma e atenção, porque é como eu disse: você está na cabeça de India Morgan Phelps e é tudo muito evasivo e cheio de explicações e contos e... Leiam que irão entender.


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