06 fevereiro 2016

#TAG: Projeto Blogueiras/SA - “Não me diga para...”


Eu estava próxima as minhas amigas. Era o intervalo, já havíamos tido três aulas chatas e estávamos próximas a direção da escola. Ao nosso lado havia uma rodinha de outros colegas, de outra turma, de outra série, de outras pessoas, estava prestando atenção naquela rodinha quando o menino aproximou-se. Achei estranho, pois não conhecia, e minhas amigas também não pareciam conhecer o individuo, abriu a boca e perguntou direcionado a mim:
- Você está participando de alguma peça? – perguntou-me.
Devo dizer que achei estranha a pergunta e nem notei a entonação, simplesmente respondi: 
- Não. – tão seco quanto eu. 
- A ta! – e depois saiu. 
Minhas amigas se entre olharam e vieram a reclamar: 
- Affe... – começou uma – tem pessoas que deveriam se olhar no espelho antes de perguntar certas idiotices. 
- Não entendi. – comentei – O que houve? 
- Você não viu? – ela perguntou - Vocês notaram meninas? – perguntou as outras – Karol, você não gosta de se vestir como os outros NE? – fiz que sim com a cabeça – Então, as pessoas se sentem no direito de vir “zoar” com sua cara por conta da sua roupa. 
Não podia dizer que já não havia notado a “repulsa” do colégio inteiro em dizer que eu não me vestia normal, só havia um, porém: eu não dava à mínima.

O relato acima é só um dos tantos outros que aconteceram enquanto fiz o ensino médio. As pessoas vinham fazer perguntas, ou até eram mais ousadas, e faziam comentários no intuito de tentar me desmoralizar. Bem, o efeito era contrário. Eu havia criado há muito tempo um bloqueio em relação a isso. As pessoas poderiam fazer perguntas estúpidas, a exemplo acima, ou até mesmo dizer “nossa que maquiagem forte, não combina com você”, “por que está se vestindo assim?”, “está preparada para uma peça?”, “vai para a guerra?”, etc... Que eu não estava nem ai.

Sempre apreciei e me senti bem com o modo que me vestia, e sabia que os outros eram os outros, ou restos (seja lá o que for!), mas não me feriam simplesmente me transformaram em uma menina popular na escola. O silêncio para mim sempre respondeu os ignorantes, a forma de eu ignorar sempre me transformou em um ser diferente. Eu nunca tive muita paciência para respostas demais, e saber que meu modo de vestir desagradava os outros, só me fazia melhor, não tinha a mínima vontade de agradar ninguém, quem era meu amigo mesmo sabia muito bem que aquele era meu jeito e o resto do mundo que se danasse.

O aprendizado, ou mensagem (como quiserem entender) que tenho a deixar é que: sejam felizes, a vida é muito curta para dar “trela” para qualquer um. A primeira pessoa que tem que estar feliz com a maneira que se veste ou se maquia ou se comporta, etc, é você mesma e mais ninguém. O autoconhecimento de quem é, vem com o tempo, e é nas pequenas atitudes que vem o amadurecimento. Não queira agradar a ninguém além de si mesma.

Um comentário:

  1. Eu acho tão bacana quem consegue essa atitude de não dar trela pras bobagens que os outros falam. Tenho certa inveja, sim. Eu me visto de uma forma muito confortável, que me agrada muito, mas os outros sempre consideram que eu estou "mal arrumada". Nunca mudei meu modo de me vestir por causa de comentários desagradáveis, mas nunca deixo de me afetar com eles. Às vezes eu começo a me sentir inadequada, aí preciso ficar lutando contra esses pensamentos, ou então crio algumas paranoias. Tipo, "nossa aquela pessoa tá me olhando o tempo todo, será que é essa roupa?". Não é fácil, mas eu sei que me sentiria pior se mudasse meu jeito pra me adaptar aos padrões sociais, então continuo sendo assim e foda-se os outros. O mesmo vale pra outras coisas que eu faço que as pessoas consideram estranhas também, me afetam no início, às vezes eu fico pra baixo, mas mantenho meu jeito. Porque quando as coisas dão errado e eu fico me sentindo como quem usa uma máscara, ninguém vem falar comigo pra me ajudar.

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